Etapa 1 • Fase Interna

Planejamento e Projetos

A qualidade da fase interna da licitação define o sucesso ou o fracasso da obra. Saiba o que verificar nos projetos e orçamentos antes da publicação do edital.

1. O Projeto Básico e Executivo

A maior causa de aditivos contratuais, paralisações e rescisões em obras públicas é a deficiência do Projeto Básico. Ele não é um mero "esboço", mas sim o conjunto de elementos necessários e suficientes, com nível de precisão adequado, para caracterizar a obra ou serviço de engenharia.

Um projeto deficiente impede a formulação de propostas justas pelas licitantes e abre margem para o temido "Jogo de Planilha" durante a execução contratual.

Checklist de Análise: Projetos
  • Os estudos topográficos e sondagens geotécnicas foram realizados e anexados ao projeto?
  • As plantas, cortes e detalhes construtivos são suficientes para a quantificação rigorosa dos serviços?
  • As especificações técnicas definem com clareza o padrão de qualidade dos materiais?
  • Existe a ART/RRT de autoria dos projetistas responsáveis?

2. Orçamento e Composição de Custos

O orçamento base da licitação fixa o teto máximo que a Administração se dispõe a pagar. A ausência de composições de custos unitários (CCUs) detalhadas impossibilita a verificação de sobrepreço.

Checklist de Análise: Orçamento
  • A planilha orçamentária expressa a unidade de medida, a quantidade, o custo unitário e o custo total de cada serviço?
  • Todos os serviços relevantes possuem a respectiva Composição de Custos Unitários (CCU) anexada?
  • As cotações de mercado para itens não tabelados possuem justificativa, data válida e identificação dos fornecedores?

3. BDI e Encargos Sociais

O BDI (Benefícios e Despesas Indiretas) é a taxa adicionada ao custo direto da obra para cobrir as despesas administrativas, tributos, riscos, despesas financeiras e o lucro da contratada. Taxas de BDI superestimadas geram prejuízos milionários ao erário.

Visão do Auditor: Responsabilidade

Quem aprova o projeto básico e o orçamento base assume a responsabilidade pelas falhas ali contidas. Em caso de superfaturamento decorrente de quantitativos superestimados na planilha original, o TCU costuma responsabilizar solidariamente o autor do projeto, o servidor que o aprovou e a empresa contratada. O controle rigoroso começa na prancheta.